Apresentado como uma ficção científica que não se passa em um universo distópico (numa tentativa clara de diferenciação das sagas Crepúsculo, Jogos Vorazes e afins), surpresa!, A 5ª Onda não é uma coisa, nem outra; é mais do mesmo disfarçado de obra original. Não se deixe enganar pela cena inicial.
De cara, somos apresentados a nossa heroína, Cassie Sullivan (Chloë Grace Moretz), inserida em um cenário de abandono e desolação, na espreita para invadir um minimercado a fim de conseguir o que comer. Lá, ela se depara com um rapaz, caído no chão, mas ainda vivo. Ela pode confiar nele? Não se sabe. E o que o desfecho, impactante, da cena promete, o restante do filme não cumpre.
Voltemos. Do nada, a Terra começa a sofrer uma série de ataques alienígenas, as tais ondas do título. Primeiro, eles, que são chamados de “os outros”, cortam a energia do nosso planeta; depois, mandam um tsunami que dizima boa parte da humanidade; na terceira onda, um vírus é usado para matar ainda mais gente; em seguida, eles se infiltram entre nós, assumindo a forma de gente comum – daí a dificuldade de saber em quem confiar. Para inserir um drama pessoal, Cassie ainda se separa acidentalmente do irmão menor, fazendo do reencontro sua meta.
A primeira metade, em que os personagens e cenários são apresentados, corre morna, mas cumpre a função de introduzir a franquia. Até que as reviravoltas acontecem (ufa!), porém de maneira tão crível quanto topar com uma nota de 30 reais. E, pior, de maneira involuntariamente risível.
Aí, abandona-se a ideia central que, em tese, diferenciaria a nova franquia juvenil baseada em série literária dos exemplos prévios (Divergente, Maze Runner, além, claro, de Crepúsculo e Jogos Vorazes), a saber: a percepção de que a premissa de A 5ª Onda poderia ser algo do nível do real, um fato (ou uma sequência de fatos) que poderíamos enfrentar aqui e agora (e não necessariamente crianças se matando em uma batalha cruel comandada por pessoas em trajes excêntricos ou um vampiro e um lobisomem disputando o amor da garota da porta ao lado).
O filme é baseado em uma série de livros (por enquanto, dois foram escritos e o terceiro volume está para ser lançado) de autoria de Rick Yancey e é a tentativa da Sony de emplacar uma franquia juvenil para chamar de sua.
Quando este fator (que podemos chamar de “realidade”) é tirado de cena, para jogar os personagens em um contexto surreal, o que sobra é o desejo da protagonista de rever o irmão (mais uma vez, a família acima de tudo) e o coração da heroína dividido entre dois rapazes, o crush descolado, colega de escola, Ben Parish (vivido por Nick Robinson, de Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros); e o salvador misterioso do meio da floresta Evan Walker (o pouco conhecido Alex Roe).
Trata-se de um fim do mundo sanitarizado, em que acaba a energia elétrica, mas não falta um estojo de maquiagem (um exemplo é a caracterização exagerada da personagem de Maika Monroe, excelente atriz de Corrente do Mal, subaproveitada aqui) ou a maneira como se desenvolve a relação de Walker e Cassie.
E o que era para ser um excitante sci-fi contemporâneo descamba para o clichê do melodrama adolescente. Sobra para o espectador a impressão de já ter visto esse filme antes. E já viu mesmo. Como derrotar os ET´s? e quem vai ficar com Cassie? São cenas para os próximos capítulos.